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Lá no fundo de nós, não gostamos de ser violentos!

A não-violência – AHIMSA

Bem lá no fundo de nós, não gostamos de ser violentos!

A não-violência, ultrapassa o limite do não matar ou ser agressivo, e abre um significado com extensão a não ser violento consigo, com os outros, com a natureza, com o planeta, os animais e plantas etc.

Fica perceptível que a atitude de não-violência aponta para um processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal em todos os níveis, físico, energético, emocional, mental e espiritual.

Nos estudos filosóficos e práticos do Yoga, a não-violência (ahimsa) ocupa o primeiro ponto dos cinco códigos éticos denominados Yamas.

Os Yamas  são questões que devem ser devidamente observadas e buriladas em qualquer ser humano, pois têm objetivo de ampliar sua consciência evolutiva e te conectar com a sua essência. Ahimsa significa a não-violência.

Você já pensou que podemos não ser violentos?

A não-violência física, vai nos levar a uma conexão com a Vida, de uma forma muito ampla e sutil.

A questão aqui não é somente não matar ou ferir, mas ir além, porque também implica em vivificar, colaborar e contribuir com a vida.

Não-violência verbal, não é somente não agredir com palavras que humilham, depreciam e maltratam.

Não-violência é também se abster de emitir opinião constantemente dentro de sua própria cabeça; não julgar a si e aos outros, mas também buscar usar suas palavras para construir e contribuir para relacionamentos positivamente. 

Estimulando o alto nível de consciência da palavra, podemos estar mais em nosso centro, descobrir o poder que existe na não reatividade e até no silêncio.

Não exercer violência mental, simplesmente escolher pensar menos, seja através de prática de meditação, silêncio, relaxamento, observação.

O primeiro lugar para reduzirmos a violência, está em administrarmos nossos pensamentos, dando uma orientação para nosso ego. Aqui o aprendizado é visitar mais vezes o Aqui e Agora, uma máxima na prática do Yoga.

Não-violência emocional,  é escolher não se identificar com as emoções, todos sentimos em algum momento: raiva, medo, mágoa, porém ao se identificar com esses sentimentos, você perde o seu eixo, está escravo de uma emoção.

Não há nada que você ame ou odeie fora de você, que já não exista dentro de você. A questão externa é somente um espelho que traz à tona o que já está dentro de você.

O Yoga é uma ciência, arte, filosofia e estilo de viver em altos níveis de presença e busca de ampliar a consciência.

As especialidades do Yoga são:

  • Domínio da mente
  • Domínio das emoções
  • Orientação para uma vida plena
  • Conexão com tudo e com todos.
  • Ampliação da Consciência

 

A Felicidade está no caminho e onde estava você que não no presente para desfrutá-la?

 

Essa frase de Eckart Tolle, o escritor do livro “O Poder do Agora”, é um livro de boa investigação sobre o presente e os estados internos, que todos nós temos.

O estado natural de nossa mente, do nosso coração, é um estado de Paz, de Felicidade. Reconhecemos paz e felicidade como estados internos que já estão em nós e não como uma condição.

A não-violência nos aproxima da nossa natureza mais profunda e nos libera da identificação com os pensamentos e emoções que formam a nossa mente.

Vivemos identificados com a nossa profissão, com a nossa educação, nossa forma de pensar e agir.

Na prática do Yoga, o impulso é você descobrir e vivenciar essas identificações como partes de uma realidade necessária para nos desenvolvermos.

Também é uma realidade, que nos modificamos a cada dia.

Observar a impermanência das coisas materiais e descobrir o que permanece dentro de nós, é  descobrir a nossa parte espiritual e real.

 

A não-violência, é essencial.

A Índia sempre foi o país clássico dos yogis, mestres e espiritualidade, o berço do mundo místico. Traz em si a milenar ciência do Yoga.

Aí nasceu um místico e político! Mohandas Karanchand Gandhi, este é o nome civil de Gandhi, porém e mais conhecido como Mahatma Gandhi, que significa: Gandhi, a grande Alma. 

Gandhi foi o principal arquiteto da libertação da Índia. 

A humanidade reconhece místicos e políticos como qualidades distintas. O místico trata das questões sobre desenvolvimento pessoal evolutivo, ligadas à transcendência do ego, sua relação com o Divino, um Algo Maior: Deus. Esse é o mundo espiritual.

O político se interessa pelas questões de desenvolvimento materiais, segurança do povo em suas necessidades básicas, evolução material e bem estar das comunidades, educação, são questões do mundo da matéria, do povo, dos homens. Gandhi soube integrá-las!

A grandeza de Gandhi não está em ter sido um grande místico, nem ter sido um hábil político, mas sua grandeza foi em ter equilibrado em sua Alma esses dois mundos, que quase sempre está desequilibrado entre os homens! 

Assim ele conseguiu convencer o povo, que exercer a não-violência,  traria a  conquista, bem mais rápido do que qualquer outro método.

Seu nível de consciência era muito expandido! Ele tinha qualificações de um verdadeiro rei, comprometido com o desenvolvimento espiritual, porém integrado às necessidades básicas do povo, como: ter e pertencer a uma pátria!

O que recebia na verticalidade entre ele e Deus e o mundo espiritual expandia na horizontalidade entre ele e o povo! 

 

mahatma-gandhi-2

O que Einstein pensava sobre Gandhi?

“Um condutor de seu povo, não apoiado em qualquer autoridade externa; um político cuja Vitória não se baseia em astúcias nem técnicas de política profissional, mas unicamente na convicção dinâmica da sua personalidade.

Um homem de sabedoria e humildade dotado de invencível perseverança, que empenha todas as suas forças para garantir a seu povo uma sorte melhor.

Um homem que enfrenta a brutalidade da Inglaterra com a dignidade de um homem simples e, por isso, se tornou um homem superior. 

Futuras gerações dificilmente acreditarão que tenha passado sobre a face da terra, em carne e osso, um homem como Gandhi.”

 

Quais são as nossas escolhas sobre a não-violência?

Todos nós, às vezes, somos um pouco violentos em nossas palavras, em nosso olhar, mas você já pensou que é possível não ser violento?

No meu íntimo, eu penso que lá no fundinho de cada um de nós, não gostamos de ser violentos.

Quando exercemos a violência, a verdade é que nos sentimos egoístas, inflamados e até envergonhados. No dia seguinte o corpo está moído, geralmente ficamos doentes em seguida. Lá no fundo iniciamos uma guerra contra nós mesmos.

Mas o pior é: dependendo do seu nível de consciência, nada disso é notado pela maioria das pessoas.

Se estivéssemos conectados conosco, com  o Universo, e com todos, isso ficaria muito claro, como ficou para Gandhi, um ser como eu e você que acreditava e vivenciava como lema, a não-violência.

Ele conseguiu libertar a Índia da Inglaterra!

E as nossas escolhas sobre a não-violência? Onde será que elas podem nos levar?

Que libertações poderemos conseguir dentro de nós, em nossa vida?

Que movimentos de libertação poderemos deixar como legado?

A não-violência nos aproxima da nossa natureza mais profunda, do nosso eixo e nos libera da identificação com os pensamentos e emoções. As possibilidades de aproximação do nosso eixo interno, espiritual só se multiplicam, a liberdade só aumenta.

Por muito tempo, dentro da espiritualidade, a não-violência foi interpretada como algo que tínhamos que exercer para nos blindar contra sentimentos hostis, porque não queríamos sentir a violência ou as emoções fortes como raiva, medo e mágoa.

Mas a verdade é que tudo isso é um trabalho para ser desenvolvido dentro de nós. Entender as emoções como mensagens a serem interpretadas e compreendidas nos liberta. Fingir que não sentimos este ou aquele sentimento forte, nos aprisiona, pois estamos fugindo de uma realidade, reforçamos padrões irreais que permanecem em nosso subconsciente.

Na prática do Yoga, o impulso é você descobrir a habilidade interna de observar as emoções e não se identificar com elas.

Observar a impermanência das coisas materiais e descobrir o que permanece e que está oculto dentro de nós? Essa é a nossa essência! Ela sempre é de Paz.

O Yoga nos aponta para a espiritualidade na prática, no dia a dia. É fácil, basta abrirmos o nosso coração para nós mesmo e decidirmos dar um passo de cada vez em nossa direção!

Se você achou pertinente esse texto, compartilha nos ajudando a levar esse conhecimento que pode ser tão praticado e melhorar consideravelmente a vida de mais pessoas. Essa é a nossa forma de contribuição, acione a sua conosco. Gratidão!

 

30 anos vivendo o caminho do Yoga. Com formação acadêmica em Educação Física, Especializações e contínua formação em Yoga e Autoconhecimento onde baseio minha atuação profissional.

2 Comentários

  1. Adriana disse:

    Muito bom obrigada, passo por uma fase difícil, mas buscando o caminho do equilíbrio, não é fácil. Por isso agradeço este pequeno texto que ja alegrou minha alma. Obrigada

    • Helena Gomes disse:

      Oi Adriana, realmente, não é fácil, mas ainda assim me arrisco a dizer que assim é o melhor para cada um de nós. Estamos todos buscando esse equilibrio, mas não a perfeição. Vamos ainda mais nestas reflexões!